Como funcionam os alertas da Defesa Civil e o que fazer ao receber um aviso

Texto: Alice Martins Morais. Edição: Natália Mello/ Revisão Carla Fischer. Fotos de Alex Ribeiro e João Caio (capa) - Ag. Pará.
10/03/2026 10:30 Atualizado em 10/03/2026 10:41

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A época de chuvas de 2026, em Belém do Pará, tem um som diferente das demais. Se os trovões chegam a assustar os visitantes em meio a um toró (como chamamos chuva forte por aqui), já é a quarta vez que os alertas sonoros que chegam aos celulares pegaram os moradores da cidade de surpresa. Ainda uma novidade localmente, o Defesa Civil Alerta (DCA) pode despertar até o humor na internet, com os sustos que cada um leva quando recebe a mensagem, mas essa é uma ferramenta importante para prevenção de desastres e que pode contribuir para diminuir a quantidade de vítimas de enchentes e deslizamentos, por exemplo.

É o que explica o tenente Pedro Alencar, chefe da divisão de gestão de riscos da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC) do Pará, vinculada ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará. O DCA começou a ser testado em outubro do ano passado e hoje já está implementado em todo o estado. O sistema funciona por tecnologia de transmissão via celular e não exige cadastro prévio: qualquer pessoa que esteja dentro da área de risco delimitada pode receber a mensagem. 

Gerenciado nacionalmente pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, a ferramenta também já está disponível em toda a Região Norte, segundo a Defesa Civil. Por meio dela, a população que estiver em áreas com risco iminente de alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra, vendavais, entre outros eventos, recebe avisos e orientações diretamente no celular.

O tenente explica que, além do DCA, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Pará mantém outro sistema de envio de SMS, a Interface de Divulgação de Alertas Públicos (Idap). Neste caso, é necessário cadastro prévio: o cidadão envia o CEP por mensagem e passa a receber avisos sempre que houver risco na área informada. “A principal diferença é que o DCA alcança automaticamente todos os celulares conectados na região delimitada, enquanto o IDAP depende da adesão voluntária", informa.

“É importante destacar que tanto o IDAP quanto o Defesa Civil Alerta não são previsão meteorológica. Muitas vezes as pessoas dizem que o alerta disparou, mas já estava chovendo há 1 hora. É porque até aquele momento não existia grandes possibilidades de acontecer um desastre. E, a partir daquele momento, nós estamos informando que passou a ter grandes possibilidades de existir danos", salienta o tenente Alencar.

“A chuva intensa, por exemplo, é um fenômeno natural. O desastre acontece quando essa ameaça se associa a uma vulnerabilidade, como uma maré alta, áreas sem drenagem adequada ou moradias frágeis”, explica Alencar. Ou seja, o órgão monitora 24 horas por dia a combinação entre ameaça e vulnerabilidade para estimar a probabilidade de danos.


Em Ourem, no Pará, o risco de deslizamentos. Foto de 2022. Créditos- Alex Ribeiro: Ag. Pará

Quando é emitido um alerta?

Não é qualquer risco que é automaticamente enviado. Apenas aqueles com alta probabilidade de acontecer. Por exemplo, se está chovendo muito e tem entre 60% e 80%  de alagamento em um local, o aviso do DCA chega como mensagem na tela, sem necessariamente emitir som se o celular estiver no silencioso. Já quando ultrapassa esse patamar e atinge o nível severo ou extremo, com mais de 80% de probabilidade de consolidação do desastre, o sistema dispara também um alerta sonoro. Nesse caso, a recomendação pode incluir medidas como evitar deslocamentos ou até evacuar a área.

A delimitação não é feita apenas por município. Técnicos analisam relatórios meteorológicos e hidrológicos, identificam áreas mais vulneráveis e traçam um polígono específico que pode abranger um bairro, uma rua ou todo o município. Em alguns casos, o estado inteiro. Assim, duas pessoas em bairros diferentes da mesma cidade podem ter experiências distintas: uma receber o alerta e outra não.

Desde a implementação do DCA no Pará, foram emitidos três alertas por essa ferramenta. Já em 2026, a Defesa Civil estadual contabiliza 90 alertas de situações de anormalidade — a maioria enviada pelo sistema de SMS. A diferença se explica pelo critério técnico: o DCA é reservado para cenários de maior probabilidade de dano. Como se trata de uma previsão de risco, e não de um evento já consolidado, existe sempre a possibilidade de que o desastre não se confirme.


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O que fazer ao receber um alerta?

A orientação para quem recebe o aviso é ler atentamente a mensagem, que traz a descrição do risco, o período previsto e recomendações específicas. Mais importante ainda é considerar o histórico de alagamentos, enxurradas ou deslizamentos na área onde mora. Se onde você vive costuma ter esse tipo de episódio, deve redobrar a atenção e considerar medidas preventivas, especialmente se houver crianças, idosos ou pessoas com dificuldade de locomoção. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo número 193.

 

Cidadãos podem se cadastrar gratuitamente para receber SMS da Defesa Civil, de qualquer estado, para alertas e recomendações.

Para ampliar o alcance das informações, a Defesa Civil reforça a importância do cadastro no sistema de SMS, enviando o CEP para o número 40199, ou pelo WhatsApp oficial com DDD 61 20 34 461. O órgão também publica boletins e relatórios hidroclimáticos em parceria com outras instituições estaduais. “Cada vez que um alerta é menosprezado, alguém pode sofrer um dano severo. A ferramenta é para proteger vidas”, afirma o tenente.

Em um período de chuvas intensas e grande circulação de pessoas nas ruas, a recomendação é acompanhar os canais oficiais, evitar transitar por áreas alagadas, não estacionar veículos em encostas ou locais sujeitos a deslizamento e buscar abrigo seguro durante ventanias. Mais do que um susto no celular, o alerta é um sinal de que o risco ultrapassou a normalidade e que a prevenção pode fazer a diferença.

Todo mundo recebeu o alerta onde eu estava, mas não recebi. O que pode ser?

Se você estava na área de risco onde foi emitido o alerta, mas não chegou a mensagem no seu celular, seu aparelho pode não ser compatível. Segundo a Defesa Civil, de modo geral, são compatíveis com o sistema aparelhos mais recentes, lançados a partir de 2020, classificados como CAT 4 ou superior pelo padrão 3GPP, que suportem tecnologias 4G ou 5G e utilizem sistemas operacionais Android ou iOS. 

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#defesacivil #alerta #chuvas

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