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Pela primeira vez na história das conferências do clima, a ciência ganhou um pavilhão exclusivo, o da Ciência Planetária. A estreia ocorreu durante a COP30, que está sendo realizada pela primeira vez no Brasil e na Amazônia, em um gesto simbólico que reconhece a importância da produção científica do Sul Global. Entre dados e pesquisas, as mulheres têm desempenhado um papel central na construção do conhecimento que orienta o futuro climático do planeta.
Indicadores sobre a participação feminina na ciência mostram por que ocupar esses espaços é decisivo para romper estereótipos estruturais que foram consolidados ao longo dos anos. Para Emma Torres, incentivar a presença de mulheres na pesquisa é também inspirar novas gerações. “Mostrar que é possível, que elas podem trabalhar na ciência. Elas podem ter uma família, mas também podem fazer uma carreira na ciência”, afirma.
A produção científica apresentada por essas pesquisadoras vai além de modelos climáticos e estatísticas. Em Belém, o lançamento do Relatório de Avaliação da Amazônia, conduzido por Sineia do Vale, demonstra como saberes tradicionais e conhecimentos indígenas também são ciência, e são essenciais para compreender e proteger o território.
Quatro mulheres presentes no pavilhão ajudam a definir caminhos para a Amazônia e para a política climática global. Conheça cada uma delas:
Marina Hirota
Pesquisadora do Instituto Serrapilheira, Marina Hirota atua na interseção entre ciência e política. Reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas amazônicos, ela integra o conselho científico que assessora a Presidência da COP30.
No pavilhão, sua participação simboliza a importância de traduzir evidências científicas em decisões concretas. Marina trabalha para transformar resultados de pesquisa em diretrizes capazes de proteger a floresta e as populações que dependem diretamente dela.

Emma Torres
Vice-presidente das Américas e de Parcerias Estratégicas da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN), Emma Torres coordena o Painel Científico para a Amazônia, uma coalizão com mais de 300 cientistas de diversos países.
O grupo lançou seu primeiro relatório sobre o estado da Amazônia durante a COP26, em 2021, documento que se tornou uma das principais referências para compreender o risco de colapso dos ecossistemas amazônicos. Em Belém, Torres reforça a necessidade de integrar ciência, políticas públicas e desenvolvimento regional.

Sineia do Vale
Cientista indígena, coordenadora do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas e enviada setorial de povos indígenas pela presidência da COP30, Sineia do Vale defende que o conhecimento tradicional, modos de vida, manejo da terra e cosmologias, é indispensável para alcançar as metas climáticas.
Durante a conferência, ela participou da elaboração do Relatório de Avaliação da Amazônia, lançado no evento. “Esse relatório da Amazônia é muito importante porque a gente traz uma vivência dos territórios, da sabedoria indígena e dos indicadores naturais dos impactos ambientais”, afirma. Sineia reforça que soluções climáticas só são possíveis quando incluem os povos que mais protegem a floresta.

As trajetórias de Marina Hirota, Emma Torres e Sineia Wapichana reafirmam uma tendência: mulheres estão na linha de frente da produção científica em um momento decisivo para o planeta. Em Belém, suas vozes e pesquisas mostram que proteger a Amazônia e enfrentar a crise climática exige uma ciência plural, integrada e comprometida com justiça, climática.
A cobertura especial do Amazônia Vox na COP30 tem o apoio da Fundação Itaú, Roche e Tereos.
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