Criadoras de conteúdo destacam narrativas digitais para a COP30

Samantha Mendes / Edição Carla Fischer
05/09/2025 12:00

Read also in English. Lea también en Español.

O papel da comunicação digital na cobertura da COP30, marcada para novembro em Belém (PA), foi tema da última sessão do webinar “Cobertura climática e COPs: ferramentas, fontes e narrativas para jornalistas e comunicadores”, realizada na noite de quarta-feira (3). Intitulada “Criação de conteúdo digital na COP30”, a conversa reuniu três comunicadora amazônidas que compartilham diferentes trajetórias de atuação: Samela Sataré Mawé, bióloga e representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib); Tay Silva, produtora de conteúdo e social media no @amazoniadepe; e Juliana Matteuci, gerente de estratégia da Purpose Brasil e integrante da iniciativa “Verificado pelo Clima”.

Samela abriu o debate ressaltando a presença de povos originários no espaço digital e como isso faz parte de uma luta maior por direitos. “A influência indígena e a comunicação indígena nas redes sociais têm sido uma quebra de estereótipos e paradigmas, principalmente porque ainda há quem pense que povos indígenas não têm acesso à tecnologia”, afirmou. 

Para ela, a COP30 precisa reconhecer o protagonismo indígena em um momento crucial. “Nós queremos estar no centro do debate climático, porque somos guardiões dos territórios que concentram a maior biodiversidade do planeta.” 

A comunicadora apresentou ainda pontos do recém-lançado Plano Nacional de Comunicação Indígena, elaborado coletivamente em encontro recente de comunicadores de todo o país. O documento reúne estratégias para dar visibilidade a lideranças, denunciar ameaças aos territórios, contrapor narrativas hegemônicas e garantir que as vozes indígenas sejam ouvidas em escala global. “É nossa oportunidade de mostrar ao mundo que o conhecimento ancestral é uma alternativa real para barrar a crise climática”, completou.

Na sequência, Tay Silva trouxe a perspectiva comunitária e territorial da produção de conteúdo, destacando que cada narrativa nasce de um lugar e precisa respeitar suas histórias. “Pensar em comunicação é também saber o chão em que tu estás pisando”, disse, ressaltando que uma cobertura justa da COP30 passa por reconhecer as especificidades de cada território. 

Segundo ela, a comunicação só faz sentido quando construída de forma coletiva. “A comunicação é uma arte com essência comunitária. Ela só faz sentido porque nós existimos juntos”, explicou. Tay compartilhou ainda sua prática cotidiana, baseada em cinco passos: olhar para trás e reconhecer histórias já contadas; buscar referências em outros criadores e movimentos; escolher formatos adequados para cada público; usar a própria voz para amplificar outras vozes e recriar narrativas de maneira constante. 

“Usar a nossa voz para amplificar outras é fundamental, porque assim reconhecemos que as histórias não começam nem terminam em nós”, reforçou. Ela também citou experiências concretas de comunicação territorial, como a criação da Carta de Direitos Climáticos de Icoaraci e a produção da HQ “Aventuras de Kaianacu”.

Com a provocação “A mentira bem contada alcança milhões em segundos. Mas e se fizermos a verdade viajar com a mesma força?”, Juliana Matteuci apresentou a experiência do projeto Verificado pelo Clima, iniciativa da ONU e da Purpose em parceria com o TikTok. Ela explicou que a rede de “mensageiros de confiança” atua em diferentes países para enfrentar a desinformação climática, apostando em narrativas positivas e soluções reais em vez de apenas desmentir boatos. 

“Mais do que denunciar fake news, precisamos ajudar as pessoas a reconhecer informações confiáveis e se sentirem parte das soluções”, afirmou. Segundo Juliana, mostrar ações concretas é uma forma de mobilizar audiências e gerar engajamento. “Quando mostramos ações reais e possíveis, as pessoas se sentem empoderadas para agir. É assim que a verdade ganha força. A verdade consegue viajar com força quando existe uma rede de criadores promovida, apoiada e guiada por um mesmo propósito”, completou. 

A sessão foi mediada pela jornalista Larissa Noguchi e contou com a organização do Amazônia Vox, em parceria com o Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas, e apoio da Fundação Itaú e da Roche.  

O ciclo teve como objetivo capacitar jornalistas e comunicadores para a cobertura da COP30. Ao longo dos encontros, cerca de vinte palestrantes participaram, incluindo pesquisadores, criadores de conteúdo, jornalistas e comunicadores, em uma curadoria da Rede Amazônidas pelo Clima (RAC), que garantiu a presença de especialistas e vozes da própria região que sediará a conferência.

Todas as sessões foram gravadas e disponibilizadas posteriormente. Além disso, o conteúdo integrará um curso online, com versões em português e inglês, ampliando o alcance internacional da iniciativa. Para assistir à última sessão, acesse: em inglês, em português e em espanhol

 

A cobertura especial do Amazônia Vox na COP30 tem o apoio da Fundação Itaú, Roche e Tereos.

Tags:
#criadoresdeconteúdo #cop30 #informaçãodigital

Fique por dentro das novidades do Amazônia Vox:

Gostou do Conteúdo? Compartilhe nas suas redes sociais:

Receba os conteúdos do Amazônia Vox no nosso canal do WhatsApp: