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Tepequém: onde o diamante deu lugar à floresta e a história virou tesouro vivo

No extremo norte de Roraima, o único tepui* habitado do Brasil transforma as antigas cicatrizes do garimpo em polo de turismo de base comunitária, regeneração ambiental e preservação da memória.

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Reportagem de Elisa Coimbra.
Edição de texto por Carla Fischer.
Coordenação de produção por Luciene Kaxinawá.
Imagens de Lucas Silva. Produção: Elisa Coimbra.
Revisão audiovisual de Anna Suav.
Edição final audiovisual de Márcio Nagano.
Este conteúdo integra a série Destino Amazônia, realizada pelo Amazônia Vox com apoio do Sicredi e do Sebrae.

Publicado em 15/10/2026 09:00

Em Roraima, a sabedoria popular ensina que quem bebe da água do Rio Branco não vai mais embora. Mas a travessia que leva ao coração das serras roraimenses revela que esse encanto se espalha muito além da principal bacia hidrográfica da capital: ele ganha a estrada, atravessa savanas e sobe montanhas que também carregam histórias e modos de vida.

A viagem até a serra do Tepequém começa cedo, por volta das cinco da manhã, quando os primeiros raios de sol iluminam o asfalto na saída de Boa Vista. São pouco mais de 210 quilômetros pela BR-174 e pela RR-203 até a Vila do Tepequém, no município de Amajari.

Criado na década de 1990 e com sede na histórica Vila Brasil, o Amajari é um dos territórios mais singulares do norte do país: dono de uma vasta extensão geográfica marcada por forte presença indígena – cerca de 70% de sua população, reunindo principalmente os povos Macuxi, Wapichana e Taurepang – e diferentes paisagens, o município abriga desde a grandiosidade da Estação Ecológica Ilha de Maracá até as escarpas do próprio Tepequém. É uma terra de contrastes, onde a vocação agropecuária do interior encontra na conservação ambiental e no ecoturismo outras possibilidades de desenvolvimento.

A vastidão luminosa do Lavrado
A vastidão luminosa do Lavrado, em Roraima, ganha novos tons ao pôr do sol. A paisagem de savana acompanha o caminho até a serra do Tepequém e revela a diversidade de ambientes que compõem o extremo norte do Brasil. Crédito: Lucas Silva.

Pela janela, a paisagem também ajuda a desmontar o imaginário convencional de quem concebe a Amazônia apenas como selva densa e contínua: diante dos olhos estende-se a vastidão luminosa do Lavrado, a secular savana do extremo norte, com suas gramíneas douradas, buritizais e horizontes sem fim.

Paisagem do Lavrado em Roraima, com gramíneas douradas, vegetação de savana e horizonte aberto.
As gramíneas douradas compõem a paisagem do Lavrado, ambiente de savana característico de Roraima. A vegetação e os horizontes abertos ajudam a compreender a diversidade de paisagens amazônicas para além do imaginário de uma floresta contínua. Crédito: Lucas Silva.
Estrada entre Boa Vista e a serra do Tepequém, em Roraima.
No quilômetro 100 do percurso entre Boa Vista e a serra do Tepequém, a estrada também faz parte da experiência turística. Ao longo do trajeto, paradas e pequenos empreendimentos movimentam a economia local. Crédito: Lucas Silva.

Essa paisagem é o primeiro contato do viajante com a diversidade da região, como pontua o empreendedor e morador Sebastião de Souza e Silva, mais conhecido como Babazinho:

“O Lavrado nada mais é do que a Savana, o Cerrado e a Guiana Brasileira. É muito diferente do imaginário que a gente tem da Amazônia.”

Paisagem do Lavrado em Roraima, com vegetação rasteira e árvores esparsas.
O Lavrado ocupa parte do território de Roraima e se caracteriza por extensas áreas abertas de savana, com vegetação rasteira e árvores distribuídas pela paisagem. Crédito: Lucas Silva.
Paisagem do Lavrado em Roraima, com extensas áreas de savana e vegetação característica da região.
A paisagem do Lavrado evidencia a diversidade ambiental do extremo norte do Brasil, onde áreas de savana compõem um cenário distinto daquele frequentemente associado à Amazônia. Crédito: Lucas Silva.
o Lavrado acompanha a viagem até o Tepequém
No caminho para o Tepequém, o Lavrado acompanha a viagem com seus horizontes amplos e sua vegetação característica. A paisagem integra a diversidade de ambientes encontrados em Roraima.
Crédito: Lucas Silva.

Conforme a subida se inicia, a imponência aberta da savana cede espaço a uma vegetação de serra, com ar fresco e mata alta. A mudança de paisagem acompanha a subida até o Tepequém, em uma transição de território que evoca os primeiros versos da música Magia da Floresta, da banda roraimense Jamrock:

"Sinto a magia da floresta fluir pelo ar,
a força da terra que me faz conectar.
Águas que lavam, pedras que contam segredos,
deixando para trás os nossos medos."

A Rota Tepequém e os negócios
que vivem da estrada

Como a maioria das vivências dentro da Amazônia, a experiência da serra começa antes, já na saída de Boa Vista. O próprio trajeto é estruturado como atrativo na chamada Rota Tepequém. No quilômetro 100 da rodovia, a parada no tradicional Quarto de Bode é apresentada como um dos pontos. Mais à frente, na Comunidade da Mangueira, está o artesanato sustentável da Semente das Artes, com venda de biojoias e peças de barro, onde este é uma matéria prima sagrada e seu manuseio, um ritual de fé.

Seguindo a estrada, logo antes da subida da serra começar, encontra-se a acolhida da Fazenda Bacabal, onde a paçoca de carne de sol com banana divide a mesa com o queijo artesanal da região. Essa cadeia comercial com a serra foi ressignificada pelo turismo, segundo o empreendedor local Sebastião de Souza e Silva, mais conhecido como Babazinho.

"Antigamente, o nosso queijo ia pro Tepequém, mas em outro contexto, ia de avião, ia no lombo do boi, fazia parte de um produto a ser consumido aqui. Hoje, a gente continua com essa atividade do leite, do queijo, e também para o Tepequém, mas em outro contexto, o contexto turístico, e vende pra quem? Pro movimento turístico da estrada, então ele continua me ligando com o Tepequém, porque eu consigo ver essa oportunidade na estrada."

Babazinho, empreendedor e morador da região do Lavrado, em Roraima.
O empreendedor e morador Babazinho fala sobre as características do Lavrado e a importância de reconhecer a diversidade de paisagens que compõem a Amazônia. Crédito: Lucas Silva.

Ao alcançar o alto, a Vila do Tepequém marca a chegada a um território em que turismo e cotidiano comunitário se encontram. Edinel Pereira, o artista plástico, pintor e fundador da Casa do Artista, sintetiza a relação com o lugar: “O Tepequém eu defino em duas palavras: natureza e liberdade. As pessoas querem vir ter essa conexão, e aqui toda hora a gente está contando e conhecendo histórias novas.”

Edinel Pereira, artista do Tepequém, em Roraima, que transforma materiais descartados em obras de arte.
Edinel Pereira, da Casa do Artista, atua no Tepequém e transforma materiais descartados em peças artísticas, associando criação e reaproveitamento de resíduos. Crédito: Lucas Silva.
Peças artísticas produzidas por Edinel Pereira com materiais reciclados, como latas e tampinhas, na Casa do Artista.
Na Casa do Artista, Edinel Pereira dá novos usos a materiais descartados, como latas e tampinhas, transformando resíduos em peças artísticas e chamando atenção para a destinação do lixo produzido pelo turismo. Crédito: Lucas Silva.

Do camping à Estância:
a diversidade de acomodações na serra

Parte do movimento turístico do Tepequém está na diversidade de hospedagens, preparadas para diferentes perfis e orçamentos.

Para os viajantes que buscam imersão total ao ar livre, a vila oferece opções de campings estruturados - como o Camping Picuá -, com redários, áreas arborizadas para barracas, fogueiras coletivas e vista aberta para as noites estreladas do platô. O Camping também oferece o serviço de guiamento para os atrativos, café da manhã, aluguel de bicicletas e tem forte atuação na divulgação da Vila do Tepequém por meio do audiovisual, quando produziu a websérie “Eu Sou Tepequém”, um importante marco cultural para a comunidade que permitiu que os moradores fossem protagonistas junto a paisagem local, e contassem a história do lugar para promover o turismo sustentável na região.

Camping Picuá, espaço de hospedagem e camping na Vila do Tepequém, em Roraima.
O Camping Picuá é uma das opções de hospedagem na Vila do Tepequém. O empreendimento oferece estrutura para visitantes que desejam acampar e conhecer os atrativos naturais da serra.
Crédito: Lucas Silva.

Há também uma rica rede de pousadas familiares e rústicas, marcadas pela simplicidade acolhedora, varandas floridas e redários sombreados, que oferecem outra opção de hospedagem para quem chega à serra.

Já para quem procura experiências feitas sob medida, a Casa do Artista oferece hospedagem, o café da manhã reforçado da dona Nilse e uma verdadeira imersão com contação de histórias fantásticas conduzidas pelo próprio Edinel.

O El Dorado, as ruínas e a cura das águas

Com sua formação geológica de tepui, as montanhas tabulares milenares do Escudo das Guianas, o Tepequém é comumente apresentado como o único relevo desse tipo habitado no Brasil, já que suas três outras ocorrências no país são isoladas e sem registros de ocupações em seu cume (Monte Roraima e Monte Caburaí, em Roraima, e a Serra do Aracá, no Amazonas). Mas o Platô guarda um passado. Nas décadas de 1930 e 1940, o local viveu a febre do garimpo de diamantes, embalada por lendas de tesouros perdidos. Como resgata o professor, historiador e morador Sidney Veras:

“Na década de 30 e 40, se buscava um eldorado perdido na Amazônia, isso foi difundido na Europa principalmente... existia essa lenda da Amazônia, e eles diziam que o diamante dava no meio da flor do capim, que era possível só arrancar com as mãos.”

Sidney Veras, professor e historiador que preserva a memória do garimpo de diamantes na Serra do Tepequém.
O professor e historiador Sidney Veras resgata a história do garimpo de diamantes no Tepequém e as transformações sociais e econômicas vividas pela região durante esse período. Crédito: Lucas Silva.
Cabana do Garimpeiro, espaço dedicado à história da Serra do Tepequém, com exposição de objetos históricos.
Sob a gestão de Sidney, a Cabana do Garimpeiro é como um museu: um local para se adentrar na história da Serra através de contação de história e a exposição de artigos que viraram parte da identidade do território. Crédito: Lucas Silva.

O ciclo do diamante movimentou milhares de trabalhadores e ergueu vilas como o Cabo Sobral. A atividade também transformou a dinâmica econômica e social da região. O dinheiro gerado pelo garimpo atraía pessoas de diferentes lugares e sustentava uma vida noturna intensa, com boate, jogos de azar e cabarés. A vila chegou a ter até uma sala de cinema, segundo a memória oral e registros históricos, apontada como a primeira do então território de Roraima, movida a geradores próprios bem no coração da serra.

“A vila chegou a ter uma estrutura impressionante para a época e para o lugar. Tinha cinema, boates, cabarés e pensões funcionando a todo vapor. As pessoas ganhavam muito dinheiro rápido e gastavam ali mesmo na diversão e na ilusão daquele Eldorado”, detalha Sidney Veras.

Toda essa efervescência desmoronou com a mesma rapidez com que nasceu: quando os diamantes de fácil acesso começaram a escassear e a febre do garimpo refluiu, as construções foram abandonadas à mata, deixando no Cabo Sobral apenas ruínas que, hoje, são preservadas pela comunidade local, que inseriu placas informativas com fotos e guiam turistas visitantes sobre essa história.

Equipamento antigo utilizado no garimpo de diamantes na Serra do Tepequém, em Roraima.
Um equipamento antigo ligado à atividade de garimpo integra os vestígios materiais desse período no Tepequém. A preservação desses objetos contribui para contar a história da exploração de diamantes na serra. Crédito: Lucas Silva.
Ruínas de antigas construções do garimpo de diamantes no Cabo Sobral, na Serra do Tepequém.
As ruínas do antigo núcleo de garimpo no Cabo Sobral guardam vestígios de construções que fizeram parte da ocupação da serra durante o ciclo dos diamantes. Crédito: Lucas Silva.

“Na década de 90, quando houve a proibição, nós estávamos praticamente perdidos. O garimpo paralisou, tudo o que a comunidade tinha estava voltado para o garimpo, então de cinco mil pessoas, a comunidade ficou reduzida a basicamente vinte famílias. E a gente conseguiu, com algumas outras lideranças e instituições, mobilizar parceiros para buscar alternativas de sustentabilidade”, conta Sidney.

Com a falta de perspectivas de sustento econômico das famílias, de manutenção da Vila e até mesmo de futuro diante da nova realidade, a comunidade encontrou no Turismo uma alternativa para manter sua subsistência na serra. Algo semelhante também fez a natureza, já que as antigas áreas de exploração também passaram a fazer parte da paisagem turística.

Lago das Esmeraldas, atrativo natural formado em antigas áreas de garimpo na Serra do Tepequém, em Roraima.
O Lago das Esmeraldas é um dos atrativos naturais do Tepequém. A área, associada às antigas cavas do garimpo, integra hoje o circuito turístico da serra. Crédito: Lucas Silva.
Águas do Lago das Esmeraldas, na Serra do Tepequém, em uma paisagem transformada pela antiga exploração de diamantes.
As águas do Lago das Esmeraldas atraem visitantes ao Tepequém. O local também ajuda a contar a história das transformações da paisagem após o ciclo de exploração de diamantes. Crédito: Lucas Silva.

Cavas deixadas pelo garimpo deram lugar ao Lago das Esmeraldas, um oásis hoje dono de águas cristalinas e correntezas, frequentemente sobrevoado por araras-azuis e visitado por moradores e turistas. A área de praia concentra os visitantes que entram na água para nadar ou ficam “de bubuia”, expressão usada quando se permanece parcialmente submerso, conversando ou contemplando a paisagem.

Araras sobrevoando a paisagem natural da Serra do Tepequém, em Roraima.
Araras sobrevoam a paisagem do Tepequém, onde os atrativos naturais e a biodiversidade, como a observação de pássaros, integram a experiência de quem visita a serra e mostra o seu potencial turístico. Crédito: Lucas Silva.

Mais a frente, o lago quase vira um poço e seu verde se torna mais fechado devido ao nível de profundidade e é possível nadar à exaustão. Ali, o tempo parece parar em benefício próprio com a combinação perfeita entre água fresca e o sol a pino, uma experiência de lazer que faz parte da relação de roraimenses e roraimados* com os ambientes naturais do estado, marcado pela presença de igarapés, poços e lagos.

O circuito das cachoeiras: da Laje Verde às piscinas do Barata

O turismo de contemplação e aventura é puxado pelos seus atrativos aquáticos. A Laje Verde, no Complexo do Paiva, impressiona pelo lajedo de pedras polidas em tonalidade esmeralda e pela piscina natural formada no local que ameniza o calor dos banhistas. Mas é preciso atenção ao acesso do atrativo, que só pode ser acessado com o acompanhamento de guia profissional devido à dificuldade de sua trilha, feita à beira de abismos e cortando outras quedas d'água pelo caminho.

Outro destaque do circuito, já com acesso facilitado, é a Cachoeira do Barata, cujas duchas e piscinas atraem visitantes de todo o país.

Cachoeira do Barata, na Serra do Tepequém, em Roraima, com quedas d'água e piscinas naturais.
A Cachoeira do Barata é um dos atrativos naturais do Tepequém e recebe visitantes interessados em aproveitar as quedas d’água e as piscinas naturais da região. Crédito: Lucas Silva.
Ewerton Azevedo, turista que se encantou com as paisagens naturais da Serra do Tepequém, em Roraima.
O turista Ewerton Azevedo conheceu o Tepequém em 2022 e se identificou com a região. A experiência nas paisagens e cachoeiras de Roraima contribuiu para sua decisão de permanecer no estado.
Crédito: Lucas Silva.

O turista Ewerton Azevedo, de Recife, conheceu a serra em 2022 enquanto cumpria agenda de trabalho, mas tanto foi o seu encanto por Boa Vista e as belezas naturais e acessíveis de Roraima que, posteriormente, ele pediu transferência profissional e se mudou para a capital de forma definitiva.

“Eu voltei para o Tepequém, agora pela quarta vez, porque considero um paraíso. Toda vez que venho e fico um tempo na água, nas cachoeiras, sinto uma energia diferente. Em 2022 eu cheguei e fui mergulhar no Rio Branco… dizem que quem bebe da água do Rio Branco volta... eu fui conquistado”, conta.

Base comunitária, reciclagem e cooperação

A regeneração do Tepequém apoia-se no Turismo de Base Comunitária, aliando geração de renda, preservação e economia circular. Na Casa do Artista, Edinel Pereira recolhe o que o turismo descarta e transforma esses resíduos em arte ecológica, enquanto chama atenção para os impactos do aumento do fluxo de visitantes.

“Eu me encanto em saber reutilizar a matéria-prima que o homem descarta. Utilizo desde uma latinha, uma tampinha de refrigerante, eu dou uma utilidade pra ele. Se a gente não se preocupar com isso, onde é que vai colocar tanto lixo?”

Bolas de sinuca da época do garimpo transformadas em peças artísticas na Casa do Artista, no Tepequém.
Na Casa do Artista, as bolas de sinuca utilizadas na época do garimpo se transformam em elementos artísticos, contando o passado do lugar sob uma nova perspectiva. Crédito: Lucas Silva.
Obras de arte e materiais reaproveitados por Edinel Pereira na Casa do Artista, no Tepequém.
Obras e materiais utilizados por Edinel Pereira na Casa do Artista mostram como objetos descartados podem ser incorporados à produção artística e ganhar outras funções.
Crédito: Lucas Silva.

A preservação também é garantida, por meio de ações organizadas pelos próprios moradores e entidades locais, como salienta a empreendedora, moradora e liderança cultural Thayná Frota. “Existem associações de guias, de moradores e de artesãos que se reúnem para fazer coleta de lixo, mutirões e placas de sinalização. São os próprios moradores cuidando do local, porque a gente ama o Tepequém.”

Esse protagonismo local é essencial para o desenvolvimento regional, como avalia o gerente Fabiano Bosa, Gerente de Agência do Sicredi. “A maioria do turismo dentro de Roraima é de base comunitária. Na maioria das vezes quem preserva, quem cuida da região são as comunidades. Então, a gente precisa manter esse desenvolvimento, facilitando o acesso para esse empreendedor com parcerias, com o crédito, com máquina de cartão.”

Bolas de sinuca da época do garimpo transformadas em peças artísticas na Casa do Artista, no Tepequém.
Thayná Frota destaca a atuação das associações de moradores, guias e artesãos na realização de mutirões de limpeza e na instalação de placas de sinalização no Tepequém. Crédito: Lucas Silva.
Obras de arte e materiais reaproveitados por Edinel Pereira na Casa do Artista, no Tepequém.
Fabiano Bosa, gerente de agência do Sicredi, fala sobre o papel do cooperativismo de crédito no apoio aos empreendedores e no fortalecimento do turismo de base comunitária em Roraima.
Crédito: Lucas Silva.

O turismo de base comunitária aparece, assim, como uma alternativa econômica construída a partir do próprio território. No entanto, o esforço voluntário dos moradores não pode carregar sozinho às pressões provocadas pelo aumento do fluxo de visitantes. Para que o turismo avance sem comprometer a vida cotidiana da vila, o acesso a crédito e a parcerias que fortaleçam os empreendimentos locais também é parte desse processo. Nesse contexto, o cooperativismo de crédito pode contribuir para ampliar as condições de investimento e permanência dos negócios que movimentam o turismo na comunidade.

O cume do Platô

Na serra, um dos principais atrativos está, literalmente, no alto do Platô. A caminhada começa na madrugada, por volta das três da manhã, exigindo esforço físico e o acompanhamento de guia local pela trilha de dificuldade de média a alta.

E como um bom marcador de território amazônico, o caminho já entrega belezas sem burocracias, como as pequenas nascentes de água, capins altos que ondulam sob o vento intenso e uma formação rochosa que atravessa milhares de anos de história geológica.

Trilha do Platô, percurso de caminhada em meio à paisagem natural da Serra do Tepequém, em Roraima.
A trilha do Platô exige preparo físico e acompanhamento de guia local. O percurso é uma das experiências de caminhada oferecidas aos visitantes do Tepequém. Crédito: Lucas Silva.
Paisagem da trilha do Platô, na Serra do Tepequém, com vegetação, formações rochosas e nascentes.
O percurso até o Platô revela diferentes elementos da paisagem da serra, incluindo vegetação, formações rochosas e pontos de nascente. No cume, algumas operadoras de telefonia possuem sinalização, reunindo aos momentos de contemplação e um forte senso de modernidade. Crédito: Lucas Silva.
Do alto do Platô, a paisagem permite observar a extensão das formações rochosas e da vegetação que caracterizam a região do Tepequém. Crédito: Lucas Silva.

A frase que afirma que "quem bebe da água do Rio Branco sempre volta" encontra no Tepequém o seu complemento perfeito. A água do rio cativa, mas na serra, é a combinação entre paisagem, água e memória que cria o vínculo do visitante com o território. Essa relação ecoa na celebração poderosa da banda Jamrock:

“Não vai entrar, a magia da floresta vai guardar,
a nossa semente vai ficar, e vai crescer, vai libertar,
a magia da floresta vai guardar.”

No Tepequém, a história da comunidade se sobrepõe às marcas deixadas pelo garimpo. Das águas da Laje Verde ao abismo imponente do Platô, o território guarda seus segredos de diferentes ciclos de ocupação e exploração - e revela que o maior tesouro de Roraima é a sua gente que, munida de suas histórias, está de braços abertos para o mundo, sustentando a floresta de pé.

Cume do Platô, com vista panorâmica da paisagem natural da Serra do Tepequém, em Roraima.
O cume do Platô marca um dos pontos mais altos da experiência de visitação ao Tepequém. A caminhada também aproxima o visitante da paisagem e da história de um território transformado por diferentes ciclos de ocupação. Crédito: Lucas Silva.

Vocabulário

Tepui: ou Tepuy, do Pemón, significa montanha sagrada, ou morada dos deuses. Geologicamente, são as formações expostas mais antigas do Planeta com paredes verticais de quartzito e arenito, em formato de meseta, caracterizada por possuir uma base reta. Sua presença é mais comum no Escudo das Guianas, com maior ocorrência na Gran Savana da Venezuela..

Roraimado: termo utilizado localmente para descrever pessoas que migraram para Roraima e podem se considerar como parte do território.

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